Cinema

Fui ao cinema sozinha... e gostei!

janeiro 05, 2017


Olá!
Este post deveria ter saído há mais tempo (a seguir ao post em que falei do filme O Primeiro Encontro). Entretanto meteram-se as férias de Natal, a falta de tempo e ficou este texto perdido pelos rascunhos. Hoje decidi recuperá-lo.
Ora, nas minhas resoluções de Ano Novo que queria viajar mais e conhecer, pelo menos, um bocadinho mais deste nosso maravilhoso país, que é Portugal. O problema está em arranjar companhia. A minha família está longe e os meus amigos aproveitam, naturalmente, os fins de semana para passar tempo com as suas famílias. O que significa que a maioria dos meus fins-de-semana são passados sozinha. Aproveito para fazer coisas da casa, arrumações, limpezas, compras e, obviamente estudar, mas raramente passear ou fazer programas comigo mesma. Se quero começar a viajar um bocadinho por Portugal ou por terras estrangeiras, tenho, primeiro, que vencer o medo de fazer coisas sozinha.

Foi num dia em que estava farta de olhar para a minha tese e após ter uma reunião com o meu orientador, que numa decisão verdadeiramente impulsiva, me dirigi ao balcão de cinema e comprei um bilhete para ver um filme. Sozinha. Eu mais um pacote de pipocas pequenas e uma garrafa de água (cortesia da promoção do cartão da NOS).

empty theater
Fonte
Quando era mais nova, olhava para as pessoas que iam ao cinema sozinhas com pena. Sou daquelas pessoas que, por vezes, imagina todo um roteiro cinematográfico quando olho para alguém e imaginava uma série de cenários que justificassem a cena que presenciava: "Será que não têm amig@s?", "Será que teminou com @ n@morada recentemente?", "Será um crítico de cinema?", "Será um agente secreto em vigia?". 
Portanto, enquanto subia os degraus de acesso às salas de cinema, dei por mim a recordar esses momentos e por momentos pensei em dar meia volta e simplesmente ir embora. Rapidamente superei esse medo inicial e, finalmente, entrei na sala de cinema. Como expectável a maioria das pessoa estava acompanhada. Mas não era a única loba solitária, outra pessoa também lá estava sozinha. Confesso que a partir desse momento fiquei um bocadinho mais descansada. Afinal não era a única pessoa sozinha na sala. Alias, não é nenhuma novidade alguém ir sozinho ao cinema, cada vez mais é algo frequente.
Chega aquele momento em que se tem de aguardar pelo início do filme. Acho que é nesta altura que uma pessoa se sente mais solitária. Normalmente, a tendência é falar com o colega do lado sobre assuntos diversos enquanto passam as publicidades ou comentar o trailer daquele filme que estreia daí a duas semanas. É aqui que o santificado telemóvel salva o dia. Entre navegar na internet ou tomar notas para o blogue (sim, eu fiz isto) passa-se o tempo da publicidade. Já para os trailers uma pessoa fica mais atenta para saber qual o próximo filme que quer ver. 
Quando inicia o filme toda a nossa concentração foca-se na história. E penso que esta é umas das maiores vantagens em ir ao cinema sozinh@. Quando temos alguém connosco, temos tendência em comentar cenas, músicas, diálogos, atores. Sozinhos, a não ser que queiram passar por doidos varridos, não se fala, pelo que a nossa atenção está na grande tela. E, num instante chega-se ao intervalo (novo olhar para o telemóvel) e, recomeça a segunda parte e termina o filme.
No fim, fica uma experiência engraçada e definitivamente a repetir. Para mim, foi um grande passo na minha evolução pessoal. Se há alguns anos achava que nunca seria capaz de ir ao cinema sozinho, hoje contemplo a ideia com bons olhos.
O próximo desafio neste campo sera almoçar num restaurante sozinha.

E vocês, já foram ao cinema sozinhos? Como foi a vossa experiência? Deixem nos comentários!

Até à proxima
xoxo

Arrival

Blogmas: Tardes de cinema #3 - O Primeiro Encontro

dezembro 02, 2016


Olá!
Por esta altura, não sei o filme ainda vai estar em exibição nas salas de cinema. Caso esteja, digo desde já: VÃO VER! Foi dos melhores filmes que já vi em toda a minha vida e abaixo explico o porquê (sem spoilar muito).

Quando várias naves estranhas aterram em vários locais do planeta, o pânico instala-se. Afinal, quem são estas criaturas e qual o seu objetivo? À beira de uma guerra à escala mundial, Louise Banks, uma professor universitária de linguística, é recrutada pelo exército para tentar decifrar e comunicar com estes seres estranhos. 


Fonte
Primeiro ponto e mais importante: se estão à espera do filme típico que envolve extraterrestres com guerra, efeitos especiais com lasers e explosões, montes de ação e violência, esqueçam! Não é, de todo, o caso deste filme. Acho que foi isso que levou a decepção de muita gente que considerou o filme "péssimo", "perda de tempo", "quero o meu dinheiro de volta. Sim, envolve extraterrestres, mas vai muito mais além disso. 

A principal razão pela qual fui ver este filme foi pela crítica. Estamos a falar de um filme que foi nomeado para o Leão de Ouro, do festival de cinema de Veneza, que tem um metascore de 8,2 e já está na lista dos 250 melhores filmes do IMDB! Depois, quando fui ver a Rapariga do Comboio vi o trailer do filme e fiquei muito intrigada.


Qualquer filme que mencione Portugal ou português para mim já merece logo um ponto positivo. Sim, quamdo ela diz "vamos falar de línguas românticas" está a falar da nossa querida língua mãe. Confesso que sou um bocado patriota e, sejamos realistas, o nosso país é pequeno e não é assim tão conhecido e falado como outros.
Amy Adams, mais uma veja, desempenha um papel excepcional, quase ofuscando a prestação dos outros actores (que foram igualmente bons). É uma mulher forte, inteligente, corajosa mas com os seus momentos de vulnerabilidade. Os diálogos são muito bons, inteligentes, havendo até momentos em que soltamos uma pequena gargalhada.
Este filme é a verdadeira definição de thriller: temos sempre presente um momento de tensão pelo desconhecido, pelas partes em que as portas abrem devagar, quase à espera do momento de susto em que saltamos da nossa cadeira. Passamos todo o tempo a pensar: será que a vida daquelas personagens está em risco? O que vai acontecer? Ao longo do filme, vamos tendo algumas pistas sobre o que parece que se está a suceder, sobre o verdadeiro significado de tudo e, claro, o final apanha-nos de surpresa e todas aquelas cenas que não percebemos bem, de repente, fazem sentido.
Saí da sala de cinema intrigada e pensativa. O filme toca em vários temas que considero ser muito atuais. Como a nossa falta de comunicação e entendimento com outras culturas, provoca desconhecimento e medo que desencadeiam guerras e sofrimento sem sentido. Será que estamos sozinhos nesta imensidão de universo? Será que a nossa abordagem perante o desconhecido deverá ser a guerra ou o diálogo?

Se forem ver, aconselho-vos a prestarem muita atenção a todas as cenas e deixarem-se envolver pela fantástica banda sonora (que para mim ajudou a todo o clima misterioso do filme) e nas paisagens deslumbrantes de Montana.

Já viram este filme? Gostaram?  Digam tudo nos comentários abaixo

xoxo

A Rapariga no Comboio

E faltam 3!!! + Tarde de Cinema #3 - A Rapariga no Comboio

outubro 25, 2016


Olá!!
O meu curso funciona de maneira diferente relativamente a praticamente todos os outros cursos universitários. Não temos semestres, não temos épocas de exame (no máximo temos recursos em Julho). As nossas cadeiras são anuais, mas, na verdade, o que acontece é que fazemos uma cadeira de cada vez. Em Medicina isto ocorre mais a partir dos anos clínicos, porque é mais lógico. Portanto, de Setembro até agora fiz o meu Estágio Final de Centro de Saúde. Tive poucas aulas, estágio, exame prático (que consiste na defesa de uma história clínica) e exame teórico. Relativamente ao estágio, correu muito bem; o exame prático foi tranquilo tinha algumas falhas mas essencialmente fiz um bom trabalho. Hoje foi dia de exame teórico, feito a computador, o que significa que os resultados saem logo após terminar o exame. E sim, passei. Ou seja: Primeira cadeira de 6º ano feita. Só faltam 3.

Claro que eventos como este merecem ser celebrados. Por isso, eu e uma amiga minha rumámos até ao Braga Parque para vermos as novidades. Passamos pela Primark, onde fomos directas à secção de maquilhagem, para vermos a novidade. Digo-vos desde já que o iluminador em creme é incrível (é uma palete de 4 iluminadores), mas infelizmente estavam esgotadas. Comprei um lápis de lábios universal, depois de experimentar venho cá dar a minha opinião.

Entretanto, à segunda-feira os cinemas NOS têm um desconto. O bilhete normal custa 5,25€. Quem tem cartão, como eu, pode aproveitar a promoção 2 por 1. Assim, e porque estávamos curiosas para ver o filme do momento; A Rapariga no Comboio.


Eu não li o livro, sabia apenas história muito por alto (aquela parte da mulher que apanha todos os dias o comboio e que observa um casal feliz, etc), portanto entrei na sala de cinema sem qualquer tipo de expectativa e sem ideias pré-concebidas. Queria, essencialmente, perceber o porquê do sucesso da história. 
Vamos começar pelos pontos positivos: sem dúvida que é a prestação das duas atrizes principais, Emily Blunt (Rachel) e de Haley Bennett (Megan). Os restantes actores também fizeram um boas prestações, sendo todos bastante credíveis nos respectivos papéis.
Pontos negativos: O argumento. O filme para mim foi monótono e previsível. Tudo bem, compreendo que seja necessário construir a história e dar profundidade às personagens mas demoraram 80% do tempo filme nisso. Depois a própria história tinha algumas incongruências. Assim de repente, há uma cena inicial em que um número privado liga a Anna e quem vai atender é a Morgan. No fim percebemos de quem são esses telefonemas, o que faz com que essa cena não faça sentido nenhum. Por fim, achei o final um total cliché: desde quem é mesmo o mau da fita, daquele relacionamento/traição e a forma como a história terminou.
Conclusão: é um filme Ok. Não achei que fosse particularmente emocionante. Para me ocupar na primeira parte fui tentanto avaliar as personagens de um ponto de vista académico/psiquiátrico (sim.. eu fui classificando as personagens consoante o seu distrúrbio de personalidade). Achei a personagem Morgan muito misteriosa e até gostava que tivessem explorado mais a história dela. Vou supor que o fazem no livro.

Depois do filme, ainda houve tempo para o jantar (sushi). Há dias que merecemos estas pequenas recompensas.

Até à próxima
xoxo

Cinema

Tardes de cinema #2 - Shutter Island

outubro 22, 2016


"É 1954, e o agente Marshal Teddy Daniels é nomeado para investigar o desaparecimento de uma paciente do Hospital de Ashecliffe, Shutter Island, Boston. Esta nomeação não é por acaso. Teddy tem motivos pessoais para se deslocar a esta ilha, mas em pouco tempo ele questiona-se se não terá sido levado para lá propositadamente por médicos que usam tratamentos radicais, não éticos e ilegais. Apesar de encontrar uma pista promissora, o hospital recusa-lhe o acesso aos registos clínicos. A ilha é assolada por um furacão, que provoca um curto circuito e faz com que os  criminosos da ala C escapem na confusão, o que multiplica as pistas improváveis e inttrigantes. Teddy começa a duvidar de tudo -  da sua memória, do seu parceiro (Chuck), e, até mesmo, da sua própria sanidade mental."

Fonte
A área médica é bem capaz de ser uma das áreas mais representadas a nível de pequeno e grande ecrã, nomeadamente através de séries e filmes. Eu gosto imenso de conhecer leque de opções que existem, embora reconheça que a qualidade e a veracidade dos mesmos nem sempre seja a melhor.

No meu 4º ano, uma das áreas médicas com a qual contactamos foi a Psiquiatria, que é a área que se dedica ao diagnóstico e tratamento de doenças mentais. Tivemos, na altura, aulas onde onde abordamos as patologias em que há uma incapacidade de reconhecer o que é real ou o que não é (o exemplo clássico é a esquizofrenia, uma doença que toda a gente já ouviu falar, mas a qual a maioria efectivamente desconhece. Isso é perceptível pela quantidade de vezes que o termo "esquizofrénico" é usado em variados contextos, o que acaba por levar a uma série de perconceitos relativamente à doença e ao seu tratamento/controlo/seguimento). Na verdade, estas doenças são complexas e difíceis de explicar e, ainda mais difíceis de entender, porque, ao contrário das doenças físicas, não é algo que possa ser sujeito a um exame físico ou a exames complementares de diagnóstico. Essencialmente, acho que a dificuldade encontra-se em perceber o quê que o paciente acha que é ou não real, se ele, de facto, tem mesmo aquela ilusão ou se nos está a tentar enganar e porquê que ele tem as tais ideias irreais.

Este filme, recomendado na altura pelo meu professor, retrata não a esquizofrenia em si, mas retrata a situação em que a mente "inventa" uma história alternativa para camuflar a verdade que é demasiado dolorosa, sob a forma de uma ilusão que, para o doente, é a sua realidade. Digamos que é uma situação de fuga ao mundo real. Mas também não quero contar tudo senão estrago o filme a quem não ainda o viu.
Mais do que o próprio argumento, foi a atuação soberba do Leonardo DiCaprio que me leva a aconselhar verem este filme. Eu, sinceramente, até fiquei surpreendida por nem ter sido nomeado para um Óscar já que, na minha opinião, foi dos melhores papéis que ele desempenhou até hoje. Se virem o filme, atentem nos pequenos detalhes da interação entre Teddy e Chuck e como evoluem ao longo da história.


Já viram este filme? Deixem nos comentários a vossa opinião e mais sugestões de filmes. 
Até à próxima
xoxo

A vida e bela

Tardes de cinema #1 - A vida é Bela

julho 20, 2016


Na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, Guido, um judeu é mandado para um campo de concentração juntamente com o seu filho, Giosuè.
Guido é um homem simples, inteligente, espirituoso, que possui um enorme sentido de humor. Ele consegue fazer com que o seu filho acredito que estão a participar num jogo, sem que este se aperceba do horror no qual estão inseridos.

Domingo à tarde, calor insuportável lá fora e fresquinho dentro de casa. Estava eu a fazer zapping por todos os canais de televisão quando descubro que no AXN White está a dar o filme italiano "A Vida é Bela", um filme que há muitos anos estava na minha lista de filmes a ver. Como tal, aproveitei e vi-o.
Já muita gente me tinha falado deste filme, que era o seu favorito de todo o sempre. Portanto, tinha muitas expectativas quando o comecei a ver.

Fonte
É um filme mesmo muito bonito. Tem a capacidade de nos fazer rir e chorar ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo que está numa realidade tão terrível e triste que é o trabalho forçado no campo de concentração, consegue animar o filho e dar-lhe esperança de um mundo melhor.
Heis um exemplo daquilo que estou a falar (a qualidade não é a melhor)


Apesar de este filme se debruçar sobre um assunto do século passado, acho que cada vez faz mais sentido no nosso presente e futuro. Primeiro, porque estamos a observar a uma ascensão perigosa de partidos extremistas que acreditam da superioridade de uma raça em detrimento de outra. Segundo, porque todos os dias somos bombeardos com notícias tristes de atentados na cidade x e y, perto ou longe de nós, o que nos deixa mais abatidos, mais recatados e mais receosos. 
A lição é que não nos podemos rebaixar ao medo incutido por extremistas. Não podemos ficar indiferentes ao que se passa, mas também não podemos dar tempo de antena a estes actos terror, porque é o que eles querem. Quantos mais posts lamechas e deprimentes, quantas mais vezes de mostrarem as imagens do terror, são eles que ganham! Temos de lembrar, obviamente, as vítimas, não daquilo que poderiam ter sido, mas daquilo que foram e do impacto que tiveram nas pessoas que os rodearam. Temos de mostrar que não iremos negar ao nosso estilo de vida e à nossa liberdade, por isso, sempre que podermos vamos rir, passear. Porque, afinal, a vida é bela!

E vocês já tinham visto este filme? Se ainda não viram, está no AXN White ainda o conseguem ver, se poderem "voltar atrás no tempo"
Até à próxima
xoxo

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