Diário de uma IAC

Diário de uma IAC - Os resultados do Harrison

março 10, 2018

Olá!
Esta semana foi muito stressante para todos os Internos do Ano Comum (e alguns Internos de Formação Específica). Porquê? Porque foram finalmente publicados, na quarta-feira à noite, os resultados do Harrison, que é o exame que todos os médicos fazem no fim do curso, em Novembro, para serem seriados e, posteriomente, escolherem a especialidade. 

Diário de uma IAC

Diário de uma IAC - O primeiro mês (e o segundo)

fevereiro 25, 2018

Olá!
Primeiramente, devo uma explicação sobre a minha ausência nestas últimas duas semanas. Em parte, deve-se à minha falta de planeamento (e já vão perceber porquê). Por outro lado, surgiu um grande imprevisto na semana passada: uma familiar do meu tio foi acometida por uma doença súbita e, infelizmente, fatal, pelo que de ir buscar pessoas ao aeroporto, fazer uma visita à mesma e, depois, cuidar da casa na ausência da minha tia, que ficou a prestar apoio, em representação do meu tio. Por fim, e porque quem contacta com pessoas doentes diariamente está sujeito a isto, eu própria fiquei doente, desta vez com uma sinusite, o que me obrigou a fazer antibiótico, anti-inflamatório e mais descanso (cheguei a ir para a cama às 9 da noite tal era o cansaço). Assim, passei mais de uma semana sem ligar o computador e aproveitei o tempo para ficar mais introspectiva, ler umas coisas e escrever alguns textos.
Posto isto, vamos ao tema deste post, que está relacionado com os meus primeiros dois meses de trabalho.

stethoscope 1
Fonte

Diário de uma IAC

Diário de uma IAC - O início

janeiro 02, 2018

Olá!
Recuperados da passagem de ano? Dia 1 de Janeiro começou bem cedo para mim, já que tive de regressar a terras continentais por mais 1 ano. Foi um voo super tranquilo e que chegou 15 minutos mais cedo do que o previsto. Após algumas horas de espera no aeroporto pela minha tia, que vinha de Londres, apanhámos o comboio até casa, em Tomar.
2018 marca o meu primeiro ano de trabalho como Médica (ainda não assimilei este facto e confesso que botei umas lágrimas quando peguei no meu cartão da Ordem pela 1ªvez), neste caso como Interna do Ano Comum (mais conhecido por IAC).

E o que faz um IAC num hospital?
A nossa função neste primeiro ano é, de uma forma muito simples, ganhar experiência. Não nos é exigido o mesmo nível de conhecimentos de um Interno de Formação Específica (que são os médicos que já escolheram a especialidade), mas também não somos alunos da faculdade ou meros observadores, pois já temos alguma autonomia na nossa prática.

Diário

Carpe Diem e outras lições de 2017

dezembro 30, 2017

E, de repente, 2017 está a chegar ao fim. O cliché mantém-se, "parece que o tempo passou a correr" e é bem verdade.
Este ano foi intenso. Foi ano de terminar o curso, de fazer um dos exames mais importantes da minha vida e de aprender a lidar com o stress, ansiedade, medo. Foi um ano que aprendi muito sobre mim, sobre os outros e sobre muitas outras coisas. E porque nenhum aprendizado fica completo se não for transmitido aos outros, é isso que venho fazer hoje.


Carpe Diem

Os profissionais de saúde lidam todos os dias com a morte. Todos os dias morre um pai, uma mãe, um filho, uma irmã. Tentamos não pensar nisso, arranjamos mecanismos de defesa e quando saímos do hospital ocupamos a nossa mente com outros assuntos do quotidiano.
Agora vou dar-vos a prespetiva da estudante de medicina/jovem médica. Entramos no curso de Medicina com o sonho que vamos salvar vidas, que vamos mudar vidas, que somos espetaculares, que fazemos coisas que muita gente só em sonhos consegue fazer, fazemos coisas que há 100 anos eram inimagináveis. Efetivamente fazemos a diferença na vida das pessoas (nós e todos os profissionais que trabalham connosco como enfermeiros, auxiliares, assistentes sociais, recepcionistas, seguranças, técnicos de saúde, farmacêuticos....) e na maioria das vezes somos bem sucedidos. Mas não somos deuses. Não controlamos todas as variáveis que estão em jogo na vida. E as pessoas morrem, mesmo quando todos os esforços são empenhados para as salvar.


O "meu" primeiro paciente que morreu inesperadamente aconteceu num dos meus estágios de 6ºano, este ano.
Nós fazíamos tabelas relativas aos nossos pacientes, onde, basicamente, temos um resuminho sobre a história e evolução de cada um deles, algo que é útil sempre que fazíamos a visita porque permitia perceber logo se algo de errado se estivesse a passar. Não que uma pessoa não se lembre dos pacientes, mas eles são muitos, têm diferentes doenças e, para prevenir erros, mais vale jogar  pelo seguro.
Numa determinada altura, tínhamos um doente relativamente novo que estava internado por uma patologia respiratória. Ele estava a evoluir bem e tudo levava a crer que iria melhorar. Conversávamos várias vezes com a família, dávamos palavras de conforto e esperança e oferecíamos o melhor tratamento que havia. Certo dia o nome desapareceu da tabela. Eu sabia que ele ainda não estava em condições para ter alta e que não havia nenhum pedido de transferência para outro serviço. Fiquei preocupada. "Onde está o paciente X?". A interna que estava connosco gelou e disse "meninas, infelizmente ele faleceu ontem à tarde. Teve uma complicação súbita e apesar de todos os esforços desenvolvidos pela equipa não foi possível salvá-lo". Frustração foi o que todos sentimos naquele dia. Sabíamos que fizemos tudo ao nosso alcance, que o paciente estava a melhorar e, de repente, a pior notícia possível.

E isto é o que este paciente me ensinou (sem nunca me ter dito uma única palavra, pois ele não conseguia falar): a vida muda, dá uma volta de 180 graus e geralmente quando não estamos à espera. Podes estar a conduzir para o trabalho e sofrer um acidente de automóvel (knock on wood). Por isso, carpe diem ou aproveita o momento e confia pouco no futuro. Não vás dormir chateado com alguém que gostas. Pega no telefone e liga aos teus pais e diz que os adoras. Manda mensagem a uma amiga e diz que ela é especial. Vive a tua vida sem arrependimentos e não adies muito os teus sonhos (mas também não precisas de deixar tudo para trás e viajar pelo mundo!). 

Gratidão

Derivado dessa primeira lição, veio a segunda.
Gostamos muitos de reclamar: é o cabelo que está horrível, é o trânsito infernal das 6 da tarde, é aquela celulite chata nas coxas, é aquelas gordurinhas, etc. Está na nossa natureza reclamar, é uma das muitas coisas que nos torna humanos.
Acontece que, muitas vezes, esquecemo-nos de fazer o oposto: agradecer.









Proponho-vos um exercício para este final de ano. Façam uma lista de 25 coisas pelas quais vocês são gratos. Podem achar que é "missão impossível", mas facilmente vão encontrar muitas coisas coisas (muito mais do que 25) pelas quais podem agradecer.
"Eu sou grata pela minha vida, por acordar todos os dias, por conseguir andar e fazer quase tudo de forma independente, por ser inteligente, por ter uma família e amigos que me apoiam incondicionalmente, por ter terminado um curso e ter trabalho para o ano, por conseguir ver, ouvir, sentir, andar, por ter uma casa, por nunca me faltar nada à mesa para comer, por ter eletricidade, água potável, saneamento básico, um computador, internet, telemóvel, por ter dinheiro que dá para sobreviver e, de vez em quando, comprar coisas que quero, que o meu país não está em guerra, que posso sair à rua sem sentir muito medo, por conduzir, por ter seguidores no blogue..."
Sempre que tiverem um dia mau ou se sentirem mais tristes ou desesperados, peguem nessa lista e leiam-na em voz alta.

Organização

"Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito" - Pitágoras
Terminei Medicina este ano e o último ano do curso é, de longe, o mais cansativo, por ser necessário conciliar estágios, exames da faculdade, aulas de preparação para o Harrison (exame que vai definir qual a especialidade que vou escolher) e estudar.


Por isso, tive mesmo de aprender a organizar-me e digo-vos que isso permitiu que eu tivesse tempo para tudo aquilo que mencionei em cima e ainda para conviver com os meus amigos e com a minha família e para descansar. Como? Já escrevi anteriormente sobre o assunto e hei de voltar a escrever, porque acho que isto são coisas que são fundamentais na vida, que deveria ser ensinado nas escolas às crianças. Envolve aprender a estabelecer metas e objetivos, conhecer diferentes métodos de estudo e ajustar aquilo que melhor se adapta a nós, calendarizar a vida, recompensar-se de vez em quando e desligar daquilo que estamos a estudar quando necessário.

 Mercúrio Retrógrado

Por fim, e para acabar de uma forma mais ligeira, a lição é: não comprar coisas durante o período de Mercúrio Retrógrado. 


Sofia, estás a falar do quê? Eu confesso que gosto muito de Astrologia, mesmo que lhe chamem pseudociência, charlatanice, etc. Não sei explicar, acho piada ao assunto. Mercúrio é o planeta regente de Gémeos (signo da comunicação) e Virgem (signo da organização). Quando um planeta está retrógrado significa que ele está num movimento contrário ao normal (atenção que isto não acontece assim na realidade, em boa verdade nem sei bem como acontece). A combinação disto é que há falhas na comunicação e na organização. Há maior probabilidade de cair telemóveis ao chão, avariar eletrónicos, carros etc. É provável que as pessoas tenham maior dificuldade em se comunicar com os outros, existam mal-entendidos. Com tudo isto, os astrólogos até aconselham que nesta altura não se deve comprar coisas importantes, assinar contratos. 
E porque dizes para não comprar nada nesta altura? Simples, meus caros. Eu tive de comprar a minha viagem de regresso para o continente em cima da hora e por medo que a viagem ficasse mais cara, comprei-a assim que possível, durante o tal período de Mercúrio Retrógrado. Uma semana depois (já essa altura teria terminado) a viagem ficou 60 euros, mais barata. Inspira, Respira, Não Pira.. Querem mais um exemplo? Em Julho, outra altura em que Mercúrio também estava retrógrado, uma televisão aqui da casa avariou e colocamos a arranjar. Sabem quando ficou pronta? A semana passada. Sim. Leram bem. Demoraram quase 5 meses a arranjar uma televisão. 
Para 2018 as datas em que Mercúrio estará Retrógrado serão as seguintes: 22 de Março a 15 de Abril, 26 de Julho a 18 de Agosto e 16 de Novembro a 6 de Dezembro. Podem acreditar ou não, mas ficam avisados (e quem avisa teu amigo é xD )

Bom, se chegaram até aqui (acho que nunca escrevi tanto aqui) este é o último post de 2017. Que 2018 vos traga muitas alegrias, que consigam alcançar os vossos objetivos e espero que continuem por aqui.
Beijinhos!!
xoxo

Medicina

Ainda está alguém por aí?

novembro 20, 2017


Olá?
Está aí alguém?

Fonte
Eu. Eu estou aqui, de volta, depois de um ano verdadeiramente emocionante a nível pessoal e profissional. E ainda não acabou. Para todos os que dizem que é difícil entrar em Medicina, vou contar-vos um segredo: é ainda mais difícil terminar. São 6 anos de muito trabalho, exames e estágios. No fim, somos médicos. Mas "só" isso não chega. Em Novembro, há o mítico exame Harrison, que é o exame que vai definir o que vamos fazer para o resto da nossa vida profissional. No pressure.
Não fosse isso o suficiente para ser stressante, atualmente não há vagas para a especialidade para todos os recém-médicos. Para terem uma noção de como estão as coisas, este ano fomos cerca de 2600 candidatos a fazer exame e a estimativa de nº de vagas de acesso à especialidade andará à volta das 1800 vagas. Na melhor das hipóteses. E o que acontece aos restantes 800? Pois... Ou repetem o exame até terem uma nota que lhes permita escolher alguma coisa ou emigram ou tornam-se tarefeiros nas urgências (e esqueçam essa história de pagar 20€/hora, porque médico sem especialidade vale muito menos). Portanto, já estão a imaginar o esquema, certo? Entrar no curso dos vossos sonhos (seja em Portugal seja no estrangeiro) e depois cortarem-vos as asas após 6 anos de muitas batalhas é frustrante. E terem que lidar todos os dias com comentários como "os médicos são uns gatunos", "é tudo esquema para entrar poucos" é difícil.
Por isso, a única coisa que uma pessoa pode fazer, é dar o máximo, estudar um livro gigantesco e sabê-lo de trás para a frente, mesmo sabendo que todos os outros estão a fazer a mesma coisa. Portanto, foi isso que fiz. Em Janeiro, tomei a decisão que só voltaria ao blogue depois do exame para poder conseguir concentrar-me ao máximo o meu estudo (acreditem, eu tenho muita dificuldade em conseguir estudar por longos períodos de tempo). Entre Janeiro e Julho, foi necessário conciliar o estudo com estágios hospitalares e aulas de preparação para o exame e o tempo que me sobrava literalmente era para comer e dormir, com a ocasional saída com os amigos (tipo 1 saída por mês). Depois, mudei-me de vez de Braga (toda uma aventura que merecerá um post exclusivo) e voltei para a ilha. Estudar no Verão é horrível. Verem o céu azul, o sol brilhante e o calor e continuar com o mesmo empenho para o estudo é muito difícil, até porque nessa altura o exame parece distante. Mas não. Não está distante e chegando a Setembro, altura em que normalmente voltaria à universidade, começa a crescer aquela ansiedade que ele se está a aproximar. E aumenta-se a carga de estudo. Outubro passa a correr e de repente, chegamos a Novembro. Entre o dia do meu exame, que foi a 17 e o início do mês saí uma vez de casa. No dia do exame estava, como podem imaginar, uma pilha de nervos. Fiz o exame com a máxima atenção (eu sou daquelas que às vezes não lê as coisas diretos) e agora espero que todo o meu trabalho seja compensado. Eu sei mais ou menos a nota que tive (e espero bem ter passado tudo direitnho para a folha de respostas), mas certezas, só em Fevereiro/Março quando sair a pauta final. Até lá, há férias para aproveitar e depois, em Janeiro, começa um novo ano, aquele que dizem ser o melhor ano de todos, o Ano Comum. Promenores sobre esse assunto fica para outro dia.
Agora, vou atualizar isto tudo, ler e comentar alguns blogues que costumava seguir e lentamente voltar à rotina pré-época de preparação do Harrison.

Até à próxima
xoxo


Blogmas

Blogmas: Christmas Veggie Challenge

dezembro 10, 2016


Olá!
Um dos temas de debate na atualidade é o conceito de alimentação saudável e de dietas alternativas. Depois de trabalhar numa tese, onde tive de ler e analisar dezenas de artigos, tornei-me muito mais crítica em relação à informação que me é transmitida, particularmente em documentários, que tenho tido a oportunidade de visualizar nos últimos tempos (agora que tenho Netflix).  O meu problema com os documentários que tenho visto é que, apesar da informação valiosa que transmitem, são tendenciosos e fazem interpretações literais de artigos, em que os próprios autores aconselham cuidado na interpretação dos resultados, utilizando, portanto, o que lhes convém e não toda a informação. E se há coisa que dá muita urticária é manipulação de informação.

Uma das maiores barbaridades que ouvi, foi uma "profissional" afirmar que todo o tipo de colesterol deveria ser o mais baixo possível. Primeiro, o colesterol é importante para a barreira das membranas celulares. Segundo, existe o colesterol bom (HDL) e o colesterol mau (LDL, VDRL, triglicerideos)  e o colesterol bom é um protector de doenças cardiovasculares (por exemplo se ele for inferior a 40 ou 45, é por si só um factor de risco para enfartes ou AVCs). Ah, a melhor forma de aumentar o HDL é, para além de uma alimentação saudável, é praticar exercício físico. 

Outro exemplo são os estudos que mostram uma correlação entre o consumo de carne com o aumento do risco de neoplasias. Sim, existe uma associação. No entanto:
- não chega dizer se há correlação ou não. É preciso mostrar a magnitude do efeito (por exemplo 30% do risco de neoplasia é explicado pelo consumo de carne);
- sabe-se que as pessoas com consumo elevado de carne também consomem, por norma, muitos alimentos processados, ricos em açúcares e gorduras e poucos legumes e fruta, têm mais probabilidade de fumarem e de praticarem menos exercício físico; e esses factores nem sempre são "controlados" estatisticamente e são variáveis de confundimento, ou sejam, podem estar a interferir nos resultados
- por outro lado, pessoas com uma dieta vegetariana ou vegana têm normalmente um maior cuidado nos produtos que selecionam para a sua alimentação, com preferência para produtos biológicos;
- os resultados apresentados não têm em consideração os químicos, antibióticos, etc que a carne do animal e esse é um defeito transversal a tudo o que tenho lido e os próprios autores dos artigos assumem que é uma grande limitação

Outra idiotice dos documentários é asumirem que os médicos adoram medicar. Alias, chegam mesmo a retratar os médicos como sendo os culpados das doenças crónicas e da polimedicação. Estando no 6º ano de Medicina e conhecendo a realidade do que se passa nos hospitais e centros de saúde, isto é o que acontece:
- na verdade, os médicos são prejudicados por terem doentes polimedicados nas suas listas, porque isso significa mais gastos para o Estado. Sim, leram bem. A nossa luta diária é tentar reduzir a quantidade de medicamentos que os doentes tomam. O objetico é a prevenção!
- em todas as consultas nós apelamos à alimentação saudável, principalmente perante grupos de risco como hipertensos e diabéticos. A questão é saber se os doentes cumprem as indicações ou não. 
- existem três razões principais pelas quais se estão a verificar aumentos na incidência e prevalência de muitas doenças: a primeira é que a nossa esperança de vida é maior, logo estamos mais sujeitos a mutações resultantes do envelhecimento; a segunda está relacionada com a quantidade de produtos processados que está ao nosso dispor; a terceira, e esta vai vos surpreender é que, hoje em dia nós registamos tudo. Vocês não imaginam quão difícil é colher dados médicos de à 10 ou 20 anos. As coisas não eram registadas ou não são reportadas. Se andarem mais para trás no tempo, só piora.

Parece-me óbvio que o tipo de alimentos que devemos escolher deverão ser aqueles de origem natural, com rótulos pequenos e evitar ao máximo os elementos processados. Quanto à carne e ao peixe, deveremos optar pela moderação no consumo e devemos escolher produtos que seja, biológicos, de animais de criação livre com uma boa alimentação. Por exemplo, eu adoro ovos e é uma proteína animal que nao consigo abdicar. O que faço é no supermercado verificar a codificação nos ovos e optar por aqueles que sejam 0PT ou 1PT.

Toda esta introdução (testamento é a palavra mais correcta) é para vos falar do desafio da Nádia do blogue Kill Your Barbies. A Nádia é vegana e desafiou os seus leitores a apresentar uma receita de um prato de origem vegetal para a ceia de Natal. Apesar de não ser vegana ou vegetariana, acredito que o consumo de proteína animal tem de ser reduzido ao máximo. Por outro lado, eu própria quero desmistificar o mito que um prato vegetariano é aborrecido e insonso. Já estou a ver algumas receitas e vou começar a fase de testes na próxima semana. 
Curiosos? Também eu! Podem ver mais informações e todos os participantes se clicaremm no link do blogue da Nádia

xoxo

Cancro

No shave November!

novembro 01, 2016


Olá!
Não, não vou aderir ao desafio no sentido literal, mas hoje decidi falar sobre o seu significado. 
Se o mês de Outubro é dedicado às campanhas acerca do cancro da mama, Novembro é dedicado às neoplasias que atingem exclusivamente os homens: próstata, testículos e pénis. Eu não escrevi sobre o cancro da mama primeiramente porque não tive tempo, mas acho que sendo uma coisa muito badalada na comunicação social as pessoas, em particular as mulheres, já estão cientes daquilo que é e do que podem fazer (embora eu já tenha tido algumas surpresas.. pronto, fica para o ano!). O problema é que a atenção mediática que é dada à neoplasia da mama não é dada às outras neoplasias, talvez porque estas não tenham um impacto tão visível como as sequelas de uma mastectomia. O que não faz muito sentido, na medida em que as outras matam tanto ou mais e causa tanto ou mais sofrimento. 

No Shave November 2016
Fonte

Se as mulheres estão mais sensibilizadas para problemas potencialmente graves e estão mais atentas à sua saúde, os homens tendem a ser mais recatados nas suas queixas. Pelo menos é isso que a minha curta experiência em consultas me diz e é o que me dizem muitos médicos de família. Se as mulheres mais facilmente discutem os seus problemas com as amigas, os homens não falam dos problemas com os amigos, principalmente se esses problemas envolvem o aparelho reprodutor masculino. Se as mulheres mais facilmente se "sujeitam" a exames mais intímos (mamografia e papaniculau), os homens são mais reticentes a coisas tão simples como toque rectal e ecografia prostática.

Por isso nasce o famoso evento "No shave November", em que durante o mês de Novembro, a pessoa não se barbeia, de forma a que ao ser questionada sobre o seu novo look (digamos) fale acerca da saúde do homem.

Vamos aos factos
a neoplasia da prostáta é a neoplasia maligna mais frequente no homem; Por ano estima-se que cerca de 4000 homens sejam diagnosticados com esta doença;
- por ano morrem mais de 1700 homens com neoplasia da próstata;
- é uma neoplasia de evolução lenta, mas silenciosa!

Quais os sintomas mais frequentes? 
- Incapacidade em urinar, 
- Urinar em pequenas quantidades:
- Urinar muito frequentemente, especialmente duante a noite;
- Eliminar sangue pela urina ou sémen
- Dor a ejacular

Mas ATENÇÃO!! Estes sintomas nem sempre querem dizer cancro. Na verdade, na maioria das vezes estão associados a alterações benignas e decorrentes da idade (nomeadamente com a Hiperplasia Benigna da Próstata).

O que fazer? Qualquer homem que apresente qualquer um dos sintomas acima mencionados, ou que tenha história familiar de doença deve recorrer a uma consulta médica. A partir daí, o médico vai escolher qual a melhor abordagem ao problema, desde uma manobra tão simples que é o Toque Rectal (é aquilo que dá mais informações, acreditem!!) até pedir exames como PSA, ecografia prostática, biópsia e análises à urina.

O tratamento deste cancro depende de muitos factores relacionados com o paciente e com o estadio da doença. Mas, obviamente, a detecção precoce é um factor determinante porque é a partir deste que se define a abordagem (que pode ser desde uma vigilância ativa, caso seja um tumor pouco agressivo até cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonoterapia).

Apesar da neoplasia do testículo ou pénis serem menos frequentes, elas também acontecem e, tal como todas as outras, quanto mais cedo forem detectadas, maiis probabilidade de cura e de menos sequelas. Nestas o importante é mesmo o exame físico! Qualquer massa de consistência mais dura no testículo ou lesão na pele suspeita no pénis deve motivar uma consulta urgente no médico, para despiste. 

Com isto tudo, deixo-vos o alerta. E passem a palavra aos vosso amigos e familiares homens, transmitam-lhe que não deve haver nenhum tipo de perconceito ou julgamento em falarem dos seus problemas de saúde e que devem sempre procurar ajuda médica se notarem alguma mudança recente!

Até à proxima
xoxo

Fontes de informação
- Portugal Doenças Oncológicas em números – 2013 - DGS
- Liga Portuguesa Contra o Cancro

Erros

A Medicina nas Novelas

agosto 04, 2016


Olá!
O post de hoje vai ser muito rápido (estou a editar fotos) e a ver a novela com a minha mãe. Não sou propriamente fã de novelas mas gosto de fazer companhia à minha mãe e à medida que vou trabalhando no computador vou olhando para a televisão. 
Não sei se é moda ou se é habitual a popularidade que a profissão médica tem em novelas. Não tenho nada contra isso. Mas tenho problemas com a forma como ela é representada. Não sei se a culpa é dos argumentistas ou se os actores não fazem pesquisas prévias para melhor desempenharem o seu papel, porque os erros que comentem são, no mínimo, hilários. Claro que alguns passam despercebidos a que não está na área, só que eu sou apologista de que quando se está a representar uma profissão, esta deve ser retratada da forma mais fiel que existe.
Eis a lista:

- o clássico: pessoa em paragem cardíaca toca lá a dar o choque. Que se lixe a via aérea, que se lixe se existe pulsação, que se lixe a assistolia. 
- segurar os instrumentos de forma errada: os instrumentos cirúrgicos pegam-se com o polegar e o dedo anelar (não com o dedo do meio). A sério, não custa nada aprender isto e dá sempre um ar mais realista
- pessoas com roupa normal na salinha de desifenções da sala do bloco. Terreno fértil para superbactérias. Opá, nem em clínicas!!
- sem máscaras dentro da sala de cirurgia. Lá se foi o controlo de infecções outra vez.
- duas pessoas serem operadas na mesma sala (porque era um transplante). Really? Já agora o facto de uma cínica privada minúscula fazer um transplante de um dia para outro é mega realistíca. Porque toda a gente sabe que a compatibilidade entre pessoas (ainda por cima casadas) é super comum.
- one man show.. traduzindo: uma cirurgia só é realizada por uma pessoa! Enfermeiro instrumentista, cirurgião assistente, anestesista, enfermeiro de anestesia e enfermeiro que auxílio nem vê-los.
- miúdo cai com a cabeça, é fazer logo TAC. Que se lixe o exame físico, que se lixe a internamento para observação, que se lixe a carga astronómica de radiação que o miudinho vai receber na cabeça
- artigos científicos que saem em revistas conceituadas com um autor único. Não acontece. Já vi artigos com 40 autores, agora pensem.
- porque uma equipa de investigação chegou primeiro ao fármaco paramos a nossa investigação. Não. Se não está pantenteado, continuam com a investigação, corrobam ou contrariam os resultados e ambos publicam o artigo. 

Tudo isto, só num dia, em duas novelas diferentes.

As melhores até agora:
- Administrem á uma benzodiazepina (que é uma classe de calmantes, da família do Xanax) a esse tipo porque está em paragem cardíaca
- Admistrar insulina porque este tipo está com uma hipoglicemia grave (só se for para morrer mais depressa)

Enfim, eu gosto das coisas bem feitas, provavelmente quando retratam outras profissões também cometem erros básicos. Deixem nos comentários se tiverme exemplos.
Até à próxima
xoxo

Medicina

Medicina - A realidade atual

julho 23, 2016


Bom dia, alegria!
Estamos em época de escolha de cursos, decisão que é sempre difícil, já que vai ditar, quem sabe, o que vamos fazer para o resto das nossas vidas. Existe imensa oferta, o que deixa qualquer um confuso. Eu lembro-me que também andei assim, tinha uma boa média (ainda por cima por ser madeirense usufria do contingente especial, o que me permitia entrar em qualquer faculdade do país) e consultei imensos planos de estudo em várias faculdades, de vários cursos, até eventualmente escolher aquilo que queria. 
Eu escolhi Medicina na Universidade do Minho, porque na altura andava meia inclinada para a investigação e porque tinha um programa de estudos diferente das outras faculdades mais "clássicas" (essas diferenças estão a diminuir, porque as faculdades estão a adoptar um programa semelhante ao nosso).

(aviso, este texto vai ser muito, mas muito longo)

Fonte

No post de hoje quero falar de algumas realidades da Medicina em Portugal, porque infelizmente a comunicação social cria algumas ilusões na cabeça dos alunos (e dos pais, e da população em geral) e quando entram na realidade do curso são confrontados com coisas que ninguém fala a não ser quem está na área.
Se formos ler e ver tudo o que a comunicação social diz sobre o curso e sobre a profissão de médico, estas são as conclusões que se chega:
- o desemprego médico é de 0%
- toda a gente tem colocação no mercado de trabalho após terminar o curso
- os médicos ganham fortunas (50€/h ou 1500 euros num dia)
- há falta de médicos

Quem não conhece a realidade, porque esta não é transmitida de forma correcta, pensa que o curso de Medicina é um óptimo investimento porque tem emprego garantido, porque traz prestígio e porque vai ganhar imenso dinheiro.
Mas será que é mesmo assim?
A realidade é que NÃO, não é bem assim.

A primeira coisa que as pessoas não tem a noção é o tempo. O tempo que leva a uma pessoa ser médico especialista que é quando pode ser totalmente independente. A segunda coisa é acharem que Medicina é uma licenciatura como todas as outras. A terceira é acharem que depois de se concluir o curso, já se pode fazer tudo. E a quarta é acharem que se trabalha pouco, é que é só estar sentado num consultório ou a passear de bata branca e estetoscópio pelo hospital com um ar de arrogância.

A Licenciatura, que na verdade é um Mestrado Integrado

Não há nenhuma licenciatura igual à outra,. Todas têm as suas particularidades. 
Ao contrário dos outros cursos, Medicina é um curso de 6 anos (seis anos!!!!).  Mas não é só no tempo que está a diferença. É essencialmente na estrutura do curso. Genericamente (posso depois fazer  outro post sobre o assunto) os primeiros 3 anos são constituídos por cadeiras (ou disciplinas) mais teóricas como Anatomia, Fisiologia, Histologia, Farmacologia, Genética, Microbiologia, etc. Vamos tendo um cheirinho da parte clínica, mas este passa a ser a constante das nossas vidas nos últimos 3 anos, em que vamos fazendo rotações pelos vários serviços dos hospitais que a Universidade tem "contrato". No fim, apresentamos a tese de mestrado.

Fonte
Aquele livrinho fantástico que temos de estudar no exame de acesso à especialidade

E depois do curso?

Depois de 6 anos, de muito suor e lágrimas, acabam o curso. Mas o trabalho não fica por aqui. Em Novembro do ano que acabam o cuso fazem um exame que vos dará acesso à especialidade, exame esse que vai testar as vossas capacidades de memorização. Com sorte, quando aqueles que entrarem agora  terão um exame mais bem estruturado, com perguntas clínicas.
Depois terão um ano comum, em que escolhem um hospital e fazem alguns estágios que é OBRIGATÓRIO a todos os estudantes e a partir daqui já é remunerado (daí que haja 0% de desemprego no fim do curso). No fim deste ano têm autonomia. Ou seja, basicamente podem prescrever.
Depois, seriados pelas notas de exame (E a partir de 2019 com a média a entrar na equação), escolhem a especialidade. Irão para um novo hospital ou centro de saúde e durante 4 a 6 anos terão de cumprir um programa de formação regulamentado pela lei, que passa por efetuar estágios em diferentes especialidades e ter um número mínimo de procedimentos. Ao fim desse tempo todo, farão um exame de especialidade e finalmente serão especialistas.
Conclusão: só ao fim de, no mímino, 11 a 13 a anos serão especialistas. Pouco tempo não é? #sóquenão

E depois de concluir a especialidade?

Há um concurso público, em que o Governo define que vagas são necessárias em cada hospital e os candidatos escolhem o lugar consoante a nota do seu percurso de formação de especialidade.

O que realmente se anda a passar?


As faculdades estão a abarrotar de alunos
Se forem consultar os rácios (cliquem aqui) vêem que há certos estágios em que um tutor (médico especialista) fica com imensos alunos. Não deve haver nada mais desagradável para um doente, do que ter 10 pessoas à volta dele a examiná-lo. Só que ao contrário do que as pessoas devem pensar, Medicina não se aprende nas salas de aulas. Aprende-se nas enfermarias, nas cirurgias, nas urgências. As competências clínicas e humanas que deveriam ser transversais a todos os médicos, implicam prática, prática, prática. Ou seja, é completamente irrealista 8 alunos fazerem uma palpação abdominal ou fazerem uma história clínica (que implica fazer uma série de perguntas, algumas delas muito pessoais e fazer um exame da cabeça aos pés) ao mesmo doente. Eu tive sorte, na minha faculdade, os rácios são aceitáveis, mas em determinadas áreas (como por exemplo Cirurgia) não é possível aprendermos alguns gestos clínicos (exemplo: suturar), porque antes de nós aprendermos, têm de aprender os internos.
É por esta razão que a ANEM (Associação Nacional dos Estudantes de Medicina) defende uma redução do numerus clausus, medida altamente impopular. Eu percebo, a sério que percebo que muita gente tem o sonho de entrar em Medicina e percebo que achem que esta redução é puramente cooperativa. Mas acredito que querem um ensino com qualidade, certo? Querem aprender a fazer as coisas, certo? Não vão conseguir se houver excesso de alunos nas faculdades.
E o problema não fica por aqui

Neste momento, não há vagas de especialidade para todos os internos do ano comum. Porquê?
Os serviços estão todos no limite: para ser especialista, há um número mínimo de procedimentos que se têm de cumprir (exemplo: 100 cirurgias à vesícula; 300 ecocardiogramas, tipo isto, num ano). Como podem imaginar o número de doentes é limitado. Se se tem demasiados internos, há menos oportunidades para se aprender as competências necessárias à especialidade e isso obviamente vai ter implicações na qualidade de formação. 
E a disponibilidade para ensinar há? Outro grande problema. Começa a faltar quem ensine os mais novos, porque já têm internos a seu incargo e ser orientador dá trabalho.
Para terem uma noção, o concurso de acesso à especialidade é constituído pelos alunos que tiraram o curso cá e os que tiraram o curso lá fora e contabiliza perto de 2000 médicos. Este ano abriram 1600 vagas para acesso à especialidade. Ou seja, 400 pessoas iriam ficar fora. O que algumas pessoas fizeram foi desistir do concurso para repetirem o exame novamente e só entrarem no concurso do próximo ano, quiçá com melhor nota. No fim, "só" 200 pessoas não escolheram especialidade. Qual é o destino dessa gente? Emigrar? Repetir o exame? Ficar à mercê dos abutres das empresas de prestação de serviço? 

Há falta de médicos?
Não. O que há é uma má distribuição dos recursos pelo país. E o quê que isso faz? Menos possibilidade para que determinados hospitais abram vagas para formar internos, por não terem ninguém que os ensine. 
Quando se diz que há falta de médicos numa determinada região, a solução não é abrir mais vagas em Medicina, porque facilmente se percebe que para formar um médico que vá para essa região demora no mínimo 11 anos (se estivermos a falar da especialidade de Medicina Geral e Familiar, se for uma Cirurgica demora 13). A solução é criar condições atractivas para fixar médicos nessa região. E criá-las para os médicos portugueses também, porque infelizmente algumas condições só são oferecidas aos estrangeiros.
Outro problema é que é expectável que o número de médicos aumente substancialmente nos próximos anos, porque entretanto o número de alunos subiu. E isso já é visível só pelo facto de não haver especialidade para todos. 
Imaginem o que é: entrar no curso dos vossos sonhos, estudarem durante 6 anos, terminarem o curso e não ser possível tirarem uma especialidade (que é obrigatório em Portugal) Sabem o que isto é? Não é fomentar a competição, como os defensores do desemprego em Medicina apregoam. É desperdiçar recursos do Estado e atirar o dinheiro que gastaram com a nossa formação pela janela fora. Quem beneficia são os países que vêm a Portugal recrutar estes recém médicos, com os quais não tiveram que gastar um tostão, e formá-los no seu país, nas especialidades que precisam.
Com isto tudo, aquela treta que algumas pessoas dizem de "deviam obrigar os médicos a trabalhar 5 ou 6 anos no estado para pagarem o seu curso" cai por terra. Porque se eu não tenho acesso à especialidade, nada posso fazer pelo meu país, a não ser explorado por empresas de prestação de serviços que não me vão pagar o mesmo que pagam a outro médico especialista. O Estado não pode contratar não-especialistas para colmatar falhas que existem nos hospitais, porque é ilegal e porque muitas dessas falhas implicam ter gente formada e com especialidade.

E então aquelas notícias de médicos a ganhar 1500 euros por dia?
Meus amigos!! Eles são a excepção, não a regra! 
Querem mesmo saber quando ganha um médico? Cliquem neste link, que corresponde às tabelas salariais (desde então houve alterações, o governo cortou no pagamento das horas extraordinárias, etc.) Realmente, se eu comparar com outros licenciados que são explorados, não temos assim muitas razões de queixa. Mas se eu for comparar com o trabalho que se tem, com a exigência que é pedida e com a responsabilidade que temos nas nossas mãos, não, não é justo.
Agora imaginem: vocês são especialistas: se uma empresa vos oferece 50€/hora (fora os descontos e a comissão da empresa) para irem fazer duas urgências a um hospital, vocês vão recusar? A verdadeira questão é saber porquê que os hospitais/Estado preferem pagar isso a empresas em vez de contratar mais médicos para os quadros ou pagar horas extra (9€/hora) aos médicos que pertencem ao quadro.

Escusado será dizer que se vai haver ainda mais médicos no futuro, as empresas de prestação de serviço vão pagar cada vez menos. Então se não tiverem especialidade, se não podem ser contratados pelo Estado e estiverem desesperados por dinheiro (porque ao contrário do que algumas pessoas pensam, os médicos não se alimentam do ar nem vivem em casas oferecidas.. sim.. isto é para quem diz que os médicos deviam trabalhar de borla) vão acabar por se sujeitar às condições que forem oferecidas (mais ou menos a exploração ridícula e atroz que fazem aos enfermeiros). O mesmo vai se aplicar à privada. Se não tiverem "fama", também não pensem que vão ganhar fortunas. 

Quanto aqueles com ar de arrogante, apenas digo uma coisa: há gente estúpida em todas as profissões, medicina não é excepção.

CONCLUSÃO
- o vosso sonho é Medicina? querem ser médicos? querem salvar vidas? Então escolham Medicina. Vai ser cansativo, vão sentir todos os dias na pele injustiças e olhares de repúdio quando passarem pelas enfermarias e pela urgência. Vai haver dias em que a desmotivação vai ganhar. Mas, apesar de tudo isso, vão acabar por adorar aquilo que fazem e vão acabar por aceitar alguns sacrifícios, porque quem corre por gosto não cansa (tanto). 
- estão a pensar escolher Medicina porque é emprego garantido? Preparem-se para trabalhar no duro. E trabalhar no duro para se fazer algo que não é aquilo que gostam deve ser muito triste
- é pelo dinheiro a escolha?  Para além de terem de trabalhar no duro, vão ter que trabalhar em vários sítios (se conseguirem). Esqueçam a vida pessoal e familiar. E não, não parecer aqueles médicos de novela.

Como vêem este post está enorme, mas acreditem, isto é um resumo da situação. Alias, nem falo aqui das repercusões que uma pobre formação em Medicina têm na população (isso dá outro testamento). Sei que, mesmo depois do meu depoimento, há-de haver sempre alguém que vai dizer que estou a exagerar, que só digo isto para afastar possíveis candidatos. A esses digo, depois desses candidatos entrarem vão ouvir o mesmo discurso. Adorava estar a mentir, mas não estou.
Se tiverem dúvidas deixem nos comentários que eu tento responder. 
Até à próxima
xoxo

Medicina

Nutrição - Pintar o prato com quantas cores a primavera tem

abril 26, 2016

Bom dia, alegria!

Como vos disse, estou de volta à aulas e neste momento estamos a desenvolver um trabalho sobre nutrição no contexto de doenças crónicas. Uma das nossas fontes bibliográficas (encontram-se no fim) tinha uns artigos interessantes sobre alimentação saudável, que decidi partilhar aqui convosco.

Como sabem, uma alimentação diversificada e equilibrada fornece energia e um bem estar físico e mental. Decerto já ouviram falar que quantos mais alimentos coloridos tiver um prato melhor ele é, sobretudo se se tratar de frutas e legumes. Porquê? Porque quanto mais intensa for a sua cor, normalmente significa que são mais ricos em vitaminas, minerais, fibras, água e antioxidantes. Os antioxidantes têm um efeito particularmente benéfico para o nosso organismo, já que reduzem o stress oxidativo, que é responsável pela inflamação crónica que por sua vez predispõe a doenças como a obesidade, a diabetes mellitus, o cancro, entre outras.

Contudo, não existe nenhum fruto ou legumes que tenha todos os nutrientes que precisamos, daí que seja necessário fazer uma escolha variada, para obter o máximo de benefícios, dando preferência aos produtos típicos da época, garantindo melhor qualidade e sabor.

VERDE: ricos em vitamina C, que acelera os processos de cicatrização, é antioxidante, promove a absorção de ferro e reduz a resistência à insulina
Exemplos: alface, couves, bróculos, curgetes, espinafres, espargos, pepino, abacate, maçã verde, kiwi, uvas verdes;




amigdalite

A parte má (ou menos boa) dos estágios em Medicina

abril 21, 2016

Bom dia, alegria!
Pois é, isto de ter estágios não é só flores e arco-íris. Tem sempre uma parte má, ou, vá lá, menos boa. A Primavera está escondida, andamos com temperaturas quase de inverno e aparecem as viroses. É constipações, é amigdalites, é diarreias, é tudo. E isto de ver doentes todos os dias faz com que de ve em quando, também calhe a nós, médicos e estudantes (na verdade, a todos os profissionais de saúde) apanhar a virose. E o que me calhou? Dores de garganta+Tosse+amigdalas vermelhas

Resultado: Amigdalite Vírica!! YEY!! (#soquenao). 
Parte positiva da situação: sou logo vista pelo médico (mau era, em estágio e não ser vista), não tenho febre nem coisas piores, tenho desculpa para comer gelado
Tratamento: Aquelas pastilhas Strepfen de 3 em 3 horas (foi o que safou ontem no estágio)+copinhos de água fria a toda a hora+Brufen 400 de 3 em 3 horas.

Quando isto vos acontecer, vão primeiro ao médico de família ou liguem para a linha de saúde 24 (não vão a correr para as urgências, porque vão esperar horas, podem sair mal atendidos ou, pior, podem sair de lá ainda mais doentes, não fosse a urgência um poço de doenças)

Esperemos que isto passe eventualmente, nem que evolua para amigalite bacteriana porque não gosto de tomar antibióticos

Até à próxima
xoxo

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