E, de repente, 2017 está a chegar ao fim. O cliché mantém-se, "parece que o tempo passou a correr" e é bem verdade.
Este ano foi intenso. Foi ano de terminar o curso, de fazer um dos exames mais importantes da minha vida e de aprender a lidar com o stress, ansiedade, medo. Foi um ano que aprendi muito sobre mim, sobre os outros e sobre muitas outras coisas. E porque nenhum aprendizado fica completo se não for transmitido aos outros, é isso que venho fazer hoje.
Este ano foi intenso. Foi ano de terminar o curso, de fazer um dos exames mais importantes da minha vida e de aprender a lidar com o stress, ansiedade, medo. Foi um ano que aprendi muito sobre mim, sobre os outros e sobre muitas outras coisas. E porque nenhum aprendizado fica completo se não for transmitido aos outros, é isso que venho fazer hoje.
Carpe Diem
Os profissionais de saúde lidam todos os dias com a morte. Todos os dias morre um pai, uma mãe, um filho, uma irmã. Tentamos não pensar nisso, arranjamos mecanismos de defesa e quando saímos do hospital ocupamos a nossa mente com outros assuntos do quotidiano.
Agora vou dar-vos a prespetiva da estudante de medicina/jovem médica. Entramos no curso de Medicina com o sonho que vamos salvar vidas, que vamos mudar vidas, que somos espetaculares, que fazemos coisas que muita gente só em sonhos consegue fazer, fazemos coisas que há 100 anos eram inimagináveis. Efetivamente fazemos a diferença na vida das pessoas (nós e todos os profissionais que trabalham connosco como enfermeiros, auxiliares, assistentes sociais, recepcionistas, seguranças, técnicos de saúde, farmacêuticos....) e na maioria das vezes somos bem sucedidos. Mas não somos deuses. Não controlamos todas as variáveis que estão em jogo na vida. E as pessoas morrem, mesmo quando todos os esforços são empenhados para as salvar.
Agora vou dar-vos a prespetiva da estudante de medicina/jovem médica. Entramos no curso de Medicina com o sonho que vamos salvar vidas, que vamos mudar vidas, que somos espetaculares, que fazemos coisas que muita gente só em sonhos consegue fazer, fazemos coisas que há 100 anos eram inimagináveis. Efetivamente fazemos a diferença na vida das pessoas (nós e todos os profissionais que trabalham connosco como enfermeiros, auxiliares, assistentes sociais, recepcionistas, seguranças, técnicos de saúde, farmacêuticos....) e na maioria das vezes somos bem sucedidos. Mas não somos deuses. Não controlamos todas as variáveis que estão em jogo na vida. E as pessoas morrem, mesmo quando todos os esforços são empenhados para as salvar.
O "meu" primeiro paciente que morreu inesperadamente aconteceu num dos meus estágios de 6ºano, este ano.
Nós fazíamos tabelas relativas aos nossos pacientes, onde, basicamente, temos um resuminho sobre a história e evolução de cada um deles, algo que é útil sempre que fazíamos a visita porque permitia perceber logo se algo de errado se estivesse a passar. Não que uma pessoa não se lembre dos pacientes, mas eles são muitos, têm diferentes doenças e, para prevenir erros, mais vale jogar pelo seguro.
Numa determinada altura, tínhamos um doente relativamente novo que estava internado por uma patologia respiratória. Ele estava a evoluir bem e tudo levava a crer que iria melhorar. Conversávamos várias vezes com a família, dávamos palavras de conforto e esperança e oferecíamos o melhor tratamento que havia. Certo dia o nome desapareceu da tabela. Eu sabia que ele ainda não estava em condições para ter alta e que não havia nenhum pedido de transferência para outro serviço. Fiquei preocupada. "Onde está o paciente X?". A interna que estava connosco gelou e disse "meninas, infelizmente ele faleceu ontem à tarde. Teve uma complicação súbita e apesar de todos os esforços desenvolvidos pela equipa não foi possível salvá-lo". Frustração foi o que todos sentimos naquele dia. Sabíamos que fizemos tudo ao nosso alcance, que o paciente estava a melhorar e, de repente, a pior notícia possível.
E isto é o que este paciente me ensinou (sem nunca me ter dito uma única palavra, pois ele não conseguia falar): a vida muda, dá uma volta de 180 graus e geralmente quando não estamos à espera. Podes estar a conduzir para o trabalho e sofrer um acidente de automóvel (knock on wood). Por isso, carpe diem ou aproveita o momento e confia pouco no futuro. Não vás dormir chateado com alguém que gostas. Pega no telefone e liga aos teus pais e diz que os adoras. Manda mensagem a uma amiga e diz que ela é especial. Vive a tua vida sem arrependimentos e não adies muito os teus sonhos (mas também não precisas de deixar tudo para trás e viajar pelo mundo!).
Gratidão
Derivado dessa primeira lição, veio a segunda.Gostamos muitos de reclamar: é o cabelo que está horrível, é o trânsito infernal das 6 da tarde, é aquela celulite chata nas coxas, é aquelas gordurinhas, etc. Está na nossa natureza reclamar, é uma das muitas coisas que nos torna humanos.
Acontece que, muitas vezes, esquecemo-nos de fazer o oposto: agradecer.

Proponho-vos um exercício para este final de ano. Façam uma lista de 25 coisas pelas quais vocês são gratos. Podem achar que é "missão impossível", mas facilmente vão encontrar muitas coisas coisas (muito mais do que 25) pelas quais podem agradecer.
"Eu sou grata pela minha vida, por acordar todos os dias, por conseguir andar e fazer quase tudo de forma independente, por ser inteligente, por ter uma família e amigos que me apoiam incondicionalmente, por ter terminado um curso e ter trabalho para o ano, por conseguir ver, ouvir, sentir, andar, por ter uma casa, por nunca me faltar nada à mesa para comer, por ter eletricidade, água potável, saneamento básico, um computador, internet, telemóvel, por ter dinheiro que dá para sobreviver e, de vez em quando, comprar coisas que quero, que o meu país não está em guerra, que posso sair à rua sem sentir muito medo, por conduzir, por ter seguidores no blogue..."
Sempre que tiverem um dia mau ou se sentirem mais tristes ou desesperados, peguem nessa lista e leiam-na em voz alta.
Organização
"Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito" - PitágorasTerminei Medicina este ano e o último ano do curso é, de longe, o mais cansativo, por ser necessário conciliar estágios, exames da faculdade, aulas de preparação para o Harrison (exame que vai definir qual a especialidade que vou escolher) e estudar.
Por isso, tive mesmo de aprender a organizar-me e digo-vos que isso permitiu que eu tivesse tempo para tudo aquilo que mencionei em cima e ainda para conviver com os meus amigos e com a minha família e para descansar. Como? Já escrevi anteriormente sobre o assunto e hei de voltar a escrever, porque acho que isto são coisas que são fundamentais na vida, que deveria ser ensinado nas escolas às crianças. Envolve aprender a estabelecer metas e objetivos, conhecer diferentes métodos de estudo e ajustar aquilo que melhor se adapta a nós, calendarizar a vida, recompensar-se de vez em quando e desligar daquilo que estamos a estudar quando necessário.
Mercúrio Retrógrado
Por fim, e para acabar de uma forma mais ligeira, a lição é: não comprar coisas durante o período de Mercúrio Retrógrado.
Sofia, estás a falar do quê? Eu confesso que gosto muito de Astrologia, mesmo que lhe chamem pseudociência, charlatanice, etc. Não sei explicar, acho piada ao assunto. Mercúrio é o planeta regente de Gémeos (signo da comunicação) e Virgem (signo da organização). Quando um planeta está retrógrado significa que ele está num movimento contrário ao normal (atenção que isto não acontece assim na realidade, em boa verdade nem sei bem como acontece). A combinação disto é que há falhas na comunicação e na organização. Há maior probabilidade de cair telemóveis ao chão, avariar eletrónicos, carros etc. É provável que as pessoas tenham maior dificuldade em se comunicar com os outros, existam mal-entendidos. Com tudo isto, os astrólogos até aconselham que nesta altura não se deve comprar coisas importantes, assinar contratos.
E porque dizes para não comprar nada nesta altura? Simples, meus caros. Eu tive de comprar a minha viagem de regresso para o continente em cima da hora e por medo que a viagem ficasse mais cara, comprei-a assim que possível, durante o tal período de Mercúrio Retrógrado. Uma semana depois (já essa altura teria terminado) a viagem ficou 60 euros, mais barata. Inspira, Respira, Não Pira.. Querem mais um exemplo? Em Julho, outra altura em que Mercúrio também estava retrógrado, uma televisão aqui da casa avariou e colocamos a arranjar. Sabem quando ficou pronta? A semana passada. Sim. Leram bem. Demoraram quase 5 meses a arranjar uma televisão.
Para 2018 as datas em que Mercúrio estará Retrógrado serão as seguintes: 22 de Março a 15 de Abril, 26 de Julho a 18 de Agosto e 16 de Novembro a 6 de Dezembro. Podem acreditar ou não, mas ficam avisados (e quem avisa teu amigo é xD )
Bom, se chegaram até aqui (acho que nunca escrevi tanto aqui) este é o último post de 2017. Que 2018 vos traga muitas alegrias, que consigam alcançar os vossos objetivos e espero que continuem por aqui.
Beijinhos!!
xoxo