Budapeste - Bairro Judeu e um bocadinho de história do séc.XX - parte 1

julho 29, 2016 Sofia Ferreira 6 Comments


Bom dia, alegria!
Já ando há muito para fazer este post, devido ao impacto que esta história teve e continua a ter nos nossos dias. Mais do que nunca, devido aos acontecimentos recentes na Europa, temos de recordar a história, para que esta nunca seja esquecida e jamais de repita.
Das coisas que mais me assusta neste momento é a subida vertiginosa das sondagens da extrema-direita. O atual clima de terror que se vive tem sido usado nos discursos mais radicais, aliado com a alegada impotência dos governos em criar medidas para combater o extremismo e à crise económica a qual tem empurrado muitas famílias para o desespero. Curiosamente, é o mesmo tipo de discurso que o Estado Islâmico usa para recrutar membros: usar o terror como arma contra a impotência e incompetência dos governos para criar melhores condições aos jovens.

Se formos estudar a História do século XX vamos encontrar algumas semelhanças com o que se está a passar agora. A Alemanha tinha acabado de perder guerra, teve de pagar uma multa astronómica devido à primeira guerra mundial, o que a empurrou para uma crise económica sem precedentes, com desempregro a níveis altíssimos e um grande descontentamento social. Vamos fazer a ponte para os dias de hoje: passamos por uma crise económica para a qual não havia memória, as taxas de desemprego jovem estão nos mais altos níveis e os recentes atentados terrotistas, alguns associados a cidadãos com estatuto de refugiado têm aumentado o descontentamento social entre as pessoas.

Agora, aliem isto isto tudo a discurso nacionalista, de dividir a sociedade em dois grupos e que o grupo mais fraco conspira para tomar o poder e impor as suas regras e costumes ao grupo superior. Soa-vos familiar não é? Teve consequências este discurso, como nós estamos recordados. 

Para descobrirmos um bocadinho mais sobre a história dos judeus no século XX decidimos recorrer à Free Walking Tour do Bairro Judeu. Estas excursões são gratuitas e há pelo menos duas por dia e começam em Vörösmarty Ter.

Comecemos pela  Váczi Utca: foi uma grande rua de comércio quando a cidade estava dividida em Buda e Peste e é atualmente uma das mais famosas ruas de Budapeste, onde podemos encontrar várias lojas de retalho, cafés e restaurantes (incluindo o Hard Rock Café). Um conselho: nunca comprem souvenirs aqui, pois é a zona onde são mais caros.




A Hungria tem a maior comunidade judaica na Europa Central e tem a segunda maior sinagoga do mundo. Mas esta população já foi bem maior.
Após perder a Primeira Guerra Mundial, o tratado de paz de Versalhes determinou que a Hungria perde-se 2/3 do seu território, perdendo mais de 3 milhões de habitantes, o que levou a que o país mergulhasse numa grave crise económica, tornando-o num dos mais fracos da Europa Central. Nos anos 30, tornou-se necessária uma política forte já que a Hungria se encontrava no meio de dois grandes estados poderosos, de um lado a Alemanha Nazi e do outro a União Soviética. O objetivo era era evitar a invasão. Em 1941 começaram os primeiros bombardeamentos e um estado de guerra foi declarado entre a Hungria e a União Soviética e centenas de milhares de soldados lutaram nas fronteiras, sofrendo grandes perdas contra o exército vermelho.
Até à ocupação nazi, a Hungria era governada por um parlamento e governo eleitos democraticamente. Apesar das restrições de guerra, havia liberdade de impressa e a vida não era má de todo. Tudo mudou após a ocupação Nazi. Hitler tinha interesse nos recursos materias e humanos do país para levar a cabo a "Solução Final". As regulamentações contra os Judeus começaram em 1938, com a obrigação do uso da estrela amarela. Apesar disso, o governo conseguiu adiar as deportações. A 18 de Março de 1944, Hitler convidou o regente húngaro e aproveitou a sua ausência para substituir o governo que se encarregou das deportações dos judeus, na sua maioria para Auschwitz. A maioria morreu.












A segunda maior sinagoga no mundo, localiza-se na rua Doháni (rua do tabaco em português). Foi construída no século XIX e consegue albergar mais de 3000 pessoas. Esteve em risco de ser destruída pelas tropas nazis mas foi recuperada. Atrás do edifício, podemos encontrar Monumento aos mártires, o cemitério judeu e o parque memorial do Holocausto.





Para não tornar o post demasiado grande (porque ainda falta muita coisa) decidi dividi-lo em três partes. A segunda parte sai amanhã e a terceira depois de amanhã.
Até à próxima
xoxo

6 comentários:

  1. Uau. Que interessante. Eu ando muito preocupada com estes avanços da extrema direita... mas por outro lado estamos a viver um clima de terror enorme! :/

    Beijinho
    The-not-so-girlygirl.blogspot.com

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  2. Que lugar lindo
    Beijinhos
    CantinhoDaSofia
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    Tem post novo todos os dias

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  3. Ahahah também eu :P
    Muito obrigado!! sim, é uma luta constante e de quando em vez custa muito :/

    Não fazia ideia disto :o eu adoro este género de bairros típicos que, mesmo sendo bonitos, transbordam história. Perto de onde vivo, também existe um bairro judeu!

    NEW GET THE LOOK POST | Night Outfit for Disco.
    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  4. Parece que a Humanidade não aprende nada com a sua própria História e arranjam sempre espaço para mais ódio e mais asneiras... Eu espero que as coisas não cheguem ao ponto a que já chegaram no passado. Esta subida da popularidade da extrema-direita tem origem no medo, que é cada vez maior, e na crise económica... enfim. Vamos ter esperança em dias melhores!

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  5. Aquilo que muita gente não se apercebe é que a História efectivamente repete-se e nunca pela positiva. E isso parte muito do quão mal a História é dada nos países ocidentais. Apenas temos acesso à visão dos vencedores brancos e do resto pouco se sabe. Já se devia ter aprendido à muito tempo com os nossos erros, mas infelizmente as nossas acções no século XX deixaram o Mundo no estado actual, e é uma pena que ninguém tenha os tomates necessários para o admitir. A culpa é de ambos os lados, mas nós não somos, nem nunca fomos, os santinhos com que gostamos de nos pintar no livros de História. É esta a realidade de que ninguém fala e que dá origem ao mau conhecimento do nosso passado.

    Não conheço absolutamente nada de Budapeste, mas esta área parece ser super interessante, carregadinha de história, e com espaços lindíssimos. A sinagoga é simplesmente linda por fora; imagino como seja por dentro.

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