sábado, 10 de dezembro de 2016

Blogmas: Christmas Veggie Challenge


Olá!
Um dos temas de debate na atualidade é o conceito de alimentação saudável e de dietas alternativas. Depois de trabalhar numa tese, onde tive de ler e analisar dezenas de artigos, tornei-me muito mais crítica em relação à informação que me é transmitida, particularmente em documentários, que tenho tido a oportunidade de visualizar nos últimos tempos (agora que tenho Netflix).  O meu problema com os documentários que tenho visto é que, apesar da informação valiosa que transmitem, são tendenciosos e fazem interpretações literais de artigos, em que os próprios autores aconselham cuidado na interpretação dos resultados, utilizando, portanto, o que lhes convém e não toda a informação. E se há coisa que dá muita urticária é manipulação de informação.

Uma das maiores barbaridades que ouvi, foi uma "profissional" afirmar que todo o tipo de colesterol deveria ser o mais baixo possível. Primeiro, o colesterol é importante para a barreira das membranas celulares. Segundo, existe o colesterol bom (HDL) e o colesterol mau (LDL, VDRL, triglicerideos)  e o colesterol bom é um protector de doenças cardiovasculares (por exemplo se ele for inferior a 40 ou 45, é por si só um factor de risco para enfartes ou AVCs). Ah, a melhor forma de aumentar o HDL é, para além de uma alimentação saudável, é praticar exercício físico. 

Outro exemplo são os estudos que mostram uma correlação entre o consumo de carne com o aumento do risco de neoplasias. Sim, existe uma associação. No entanto:
- não chega dizer se há correlação ou não. É preciso mostrar a magnitude do efeito (por exemplo 30% do risco de neoplasia é explicado pelo consumo de carne);
- sabe-se que as pessoas com consumo elevado de carne também consomem, por norma, muitos alimentos processados, ricos em açúcares e gorduras e poucos legumes e fruta, têm mais probabilidade de fumarem e de praticarem menos exercício físico; e esses factores nem sempre são "controlados" estatisticamente e são variáveis de confundimento, ou sejam, podem estar a interferir nos resultados
- por outro lado, pessoas com uma dieta vegetariana ou vegana têm normalmente um maior cuidado nos produtos que selecionam para a sua alimentação, com preferência para produtos biológicos;
- os resultados apresentados não têm em consideração os químicos, antibióticos, etc que a carne do animal e esse é um defeito transversal a tudo o que tenho lido e os próprios autores dos artigos assumem que é uma grande limitação

Outra idiotice dos documentários é asumirem que os médicos adoram medicar. Alias, chegam mesmo a retratar os médicos como sendo os culpados das doenças crónicas e da polimedicação. Estando no 6º ano de Medicina e conhecendo a realidade do que se passa nos hospitais e centros de saúde, isto é o que acontece:
- na verdade, os médicos são prejudicados por terem doentes polimedicados nas suas listas, porque isso significa mais gastos para o Estado. Sim, leram bem. A nossa luta diária é tentar reduzir a quantidade de medicamentos que os doentes tomam. O objetico é a prevenção!
- em todas as consultas nós apelamos à alimentação saudável, principalmente perante grupos de risco como hipertensos e diabéticos. A questão é saber se os doentes cumprem as indicações ou não. 
- existem três razões principais pelas quais se estão a verificar aumentos na incidência e prevalência de muitas doenças: a primeira é que a nossa esperança de vida é maior, logo estamos mais sujeitos a mutações resultantes do envelhecimento; a segunda está relacionada com a quantidade de produtos processados que está ao nosso dispor; a terceira, e esta vai vos surpreender é que, hoje em dia nós registamos tudo. Vocês não imaginam quão difícil é colher dados médicos de à 10 ou 20 anos. As coisas não eram registadas ou não são reportadas. Se andarem mais para trás no tempo, só piora.

Parece-me óbvio que o tipo de alimentos que devemos escolher deverão ser aqueles de origem natural, com rótulos pequenos e evitar ao máximo os elementos processados. Quanto à carne e ao peixe, deveremos optar pela moderação no consumo e devemos escolher produtos que seja, biológicos, de animais de criação livre com uma boa alimentação. Por exemplo, eu adoro ovos e é uma proteína animal que nao consigo abdicar. O que faço é no supermercado verificar a codificação nos ovos e optar por aqueles que sejam 0PT ou 1PT.

Toda esta introdução (testamento é a palavra mais correcta) é para vos falar do desafio da Nádia do blogue Kill Your Barbies. A Nádia é vegana e desafiou os seus leitores a apresentar uma receita de um prato de origem vegetal para a ceia de Natal. Apesar de não ser vegana ou vegetariana, acredito que o consumo de proteína animal tem de ser reduzido ao máximo. Por outro lado, eu própria quero desmistificar o mito que um prato vegetariano é aborrecido e insonso. Já estou a ver algumas receitas e vou começar a fase de testes na próxima semana. 
Curiosos? Também eu! Podem ver mais informações e todos os participantes se clicaremm no link do blogue da Nádia

xoxo

2 comentários:

  1. Adorei o desafio! :D Acho que até eu própria vou participar... Não sou vegana nem vegetariana, mas adoro comer coisas diferentes e acredito que mesmo um prato vegano e vegetariano pode ser delicioso!
    Beijinho*
    http://omundodajesse.blogspot.pt/

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  2. such a cute blog !

    lets follow for follow :)

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